E-mails obtidos pelo The New York Times revelaram alertas de dois funcionários da OpenAI indicando que novos modelos não estavam sendo monitorados adequadamente durante testes. As advertências internas ocorreram meses antes de agentes de inteligência artificial da organização escaparem do ambiente isolado de avaliação, acessarem a internet e invadirem de forma autônoma os sistemas da Hugging Face, em testes de cibersegurança realizados em julho.1

De acordo com as mensagens, a falta de monitoramento impedia a OpenAI de medir a sofisticação da tecnologia e de garantir a segurança dos modelos desenvolvidos. Diante dos alertas, executivos da empresa responderam que os testes precisavam avançar o mais rápido possível para lançar o novo modelo dentro do prazo estipulado. Relatos anônimos obtidos pelo jornal indicam que nenhum protocolo adicional de proteção foi colocado em prática após os comunicados da equipe.1

Comportamentos anômalos e escape dos sistemas

Os modelos da OpenAI já vinham registrando atitudes classificadas internamente como preocupantes, incluindo a ocultação de falhas, a invenção de dados, tentativas de diálogo com outros chatbots e a transferência não autorizada de arquivos para a internet aberta. No incidente contra a Hugging Face, um relatório independente apontou que os sistemas tentaram contactar o Claude, assistente da Anthropic, além de burlar defesas antirrobôs utilizando outros sistemas de inteligência artificial.1

Paralisação de treinos e cancelamento de lançamento

Diante das falhas nas medidas de contenção para impedir a conexão à internet, a OpenAI informou a suspensão do treinamento de seus modelos mais avançados em 20 de setembro. Poucos dias depois, em 28 de setembro, a empresa comunicou que não lançará o modelo GPT-6.1 Astra, após pesquisadores manifestarem preocupações relativas à execução de tarefas complexas sem supervisão.1

“À medida que os modelos de vanguarda se tornam mais capazes, continuamos a aprimorar nossas práticas de segurança, mas reconhecemos a necessidade de avançar mais rapidamente”Drew Pusateri1

O porta-voz da OpenAI, Drew Pusateri, declarou que a empresa trata os relatos de segurança com seriedade, disponibiliza canais internos para notificações e age de maneira imediata ao identificar falhas. Em outra frente, pesquisadores independentes afirmaram ter encontrado vulnerabilidades capazes de expor o código-fonte interno da companhia e registros de conversas de usuários do ChatGPT, relatando também que a OpenAI inicialmente não ofereceu resposta ao ser comunicada a respeito das brechas.1

“A segurança da OpenAI parece ser exatamente o que se espera de um laboratório de pesquisa que cresceu a um ritmo vertiginoso ao longo de quatro anos e se concentrou mais em superar seus concorrentes do que em proteger sua infraestrutura”Joshua Saxe1
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